terça-feira, 22 de janeiro de 2019

CEI Casulo da Borboleta

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Rua Major Navarro Lins, 962 - Anita Garibaldi - Fone (47) 3031-3161

FEMUSC em Jaraguá do Sul


Mafalda, sempre Mafalda

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Bom dia!

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Nesta semana...

16º Festival Gastronômico, de 23 de janeiro a 14 de fevereiro

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Dica do dia

domingo, 20 de janeiro de 2019

Engenheiros do Hawaii

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No SESC Joinville: cinema brasileiro

Cinema - Mostra Coleção Cinema Brasileiro Contemporâneo ANCINE 

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Dia 22 de janeiro (terça), às 19h30 - Tropicália 
De Marcelo Machado. Brasil, 2012. Documentário. 87 minutos. Classificação: 12 anos. 

Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário.
Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, 
Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, 
misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas 
ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas 
da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações. 
Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado 
pelas mais belas canções do período, “Tropicália” nos dá um panorama 
definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil. 

Entrada franca, sem a necessidade de retirada de ingressos (sujeito à lotação).

Felicidade

sábado, 19 de janeiro de 2019

Hoje no SESC Joinville... Cine Férias (dose dupla)

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Dia 19 de janeiro (sábado), às 14h - A noiva cadáver 
De Tim Burton, Mike Johnson. Estados Unidos, 2005. 
Fantasia/Drama. 77 minutos. Classificação livre. Dublado. 

Ambientado numa vila europeia do século 19, este longa-metragem de animação 
conta a história de Victor, um jovem varrido para o submundo e casado 
com uma misteriosa Noiva Cadáver, enquanto sua verdadeira noiva, Victoria, 
aguarda por ele, sem esperanças, no mundo dos vivos. 
Entretanto, quando a vida na Terra dos Mortos revela ser um pouco mais colorida 
do que todos imaginavam, Victor aprende que não existe nada neste mundo
- ou no próximo - que pode mantê-lo longe do seu único e verdadeiro amor. 

** Entrada franca, sem a necessidade de retirada de ingressos (sujeito à lotação).

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Às 15h30 - Alice no País das Maravilhas 
De Tim Burton. Estados Unidos, 2010.
Fantasia/aventura. 109 min. Classificação: 10 anos. Dublado. 

Alice, agora com 19 anos de idade, retorna ao excêntrico mundo onde entrou 
pela primeira vez quando era criança e embarca numa jornada
 para descobrir seu verdadeiro destino. 
Este País das Maravilhas é um mundo além da sua imaginação e 
não se parece com nada que você já tenha visto antes.

Melão

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Amigo

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Basta!

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Retrato da desejada de David Gonçalves

Viúvo, 52 anos, e deslocado do mundo, recorri a um conhecido casamenteiro, que me pediu o perfil da mulher desejada. Aqui vai o retrato:

“Pode ser solteira ou viúva, acima de 30 anos. De preferência, viúva. Adoro as viúvas. Mais experientes, conhecedoras das coisas da vida. Solteironas, entretanto, são bem-vindas. Quero viver uns meses junto para saber como são seu coração, caráter e hábitos. Algumas se revelam aves de rapina. São capazes de limpar a casa e os bolsos. Quero saber se roncam feito locomotivas, se sabem entender os pequenos deslizes. Pra algumas mulheres, basta uma palha voando, que fazem uma fogueira – uma anedota, uma opinião sobre costumes morais, religião, um tique, uns goles a mais. O amor facilmente azeda, se torna vinagre. Por isso, quero estudá-la, conhecê-la a fundo, em todos os recantos e precipícios.
Confesso, timidamente, que valorizo certos detalhes físicos. Não revelam a alma, mas alteram seu preço aos nossos olhos. Nada mais justo que os descreva:
– Prefiro as mulheres que têm os joelhos voltados para dentro. Parecem virginais. Quando caminham, os joelhos se roçam e, quando se sentam, estão sempre encostados, segredando. Porque há aquelas que têm os joelhos semelhantes aos arcos indígenas. Dá pra ver, quando caminham, a paisagem pelo meio e, quando se sentam, mostram todos os segredos. Essas, as de joelhos abertos, não me inspiram confiança. Parecem que elas têm muitos quilômetros rodados. Ou, digamos, horas de cama. As de joelhos voltados para dentro me parecem mais recatadas, tímidas ou sei lá o quê.
– Também não me atraem as mulheres de peito grande. Porque o peito tão desenvolvido forma, com o tempo, grande prega na parte de baixo. Mas, se ela quiser, tenho dinheiro suficiente para uma plástica. Sabe, peitos pequenos me fazem sonhar. Freud deve explicar esse meu gosto. Mas, agora, não é hora de falar sobre a psicanálise.
– Com franqueza, devo dizer que prefiro as mulheres com nádegas regulares. Algumas são prodigiosas na parte da frente e quase nada por trás. Outras – farturosas por trás e quase nada na frente. De fora, entretanto, as magricelas, vulgo tábuas de passar roupa, porque estas não têm nada na frente, muito menos atrás. Sempre há aquelas que enchem com algodão lá onde se alimentam os bebês e, lá também, onde se sentam e rebolam quando saem às ruas. Não quero ser enganado novamente. A falecida, na noite de núpcias, revelou-se magricela. Durante namoro e noivado, ela pôs algodão no peito e no bumbum. Isto, confesso, não me agradou.
– Não quero mulher papa-hóstias, do tipo carola. Muita religião faz mal, deixa as pessoas bestas. Pouca religião, por sua vez, deixa-as materialistas. Uma vez ou outra na igreja, tudo bem. Mas, todos os dias, revela fraqueza de espírito. E tem a história do compadre Rosalvo: a mulher dele não saía da saia do padre. Deu no que deu: ela fugiu com o padre e ele ficou amargurado, bebendo um litro de cachaça por dia...
– Ah, quando falei das magricelas, esqueci de dizer que não admiro as gorduchas. Nunca me pareceram amantes deliciosas, devassas do prazer. Pra mim, é claro. Tenho amigos que as preferem e se sentem bem-servidos. Cada gosto uma sentença.
– Devo dizer que o meu tempo de noitadas já passou. Não vou a bailões, nunca fui um pé-de-valsa. Por isso, a mulher desejada não deve frequentar tais lugares. Mulheres assim são fogueteiras demais. Não estou disposto a sair em excursões de terceira idade, com intuito de visitar igrejas e museus.
– Ah, muito importante, que não traga filhos e netos pra dentro de casa. Não estou disposto a educar filhos dos outros.
– Ah, que não me perturbe quando eu encher a cara de cerveja e chegar um pouco tarde. Porque é bem melhor uma conversa com os amigos do que remédios tarja preta.
– Ah, que não fique o tempo todo no celular, zapeando, trocando mensagens. Isto me dá nos nervos!
– Ah, os olhos são devem ser vesgos e nem dissimulados como os de Capitu. Pouco me importo com a cor.
Bem, é isso.”
Seis meses depois desta carta, o bilhete lacônico do casamenteiro:
“Com tantas exigências, abdico de minhas funções. Aconselho-o a procurar alguma noviça no convento. Se existir convento hoje. Você está procurando uma agulha no palheiro.”

Receita de molho de tomate

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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Neste sábado...

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Em junho...

Cecília Meireles

"Não vou deixar a porta entre aberta.
Vou escancará-la ou fechá-la de vez. 
Porque pelos vãos, brechas e fendas... 
passam semiventos, meias verdades e muita insensatez"

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

domingo, 13 de janeiro de 2019

Platão

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“Imprime a todos os seus atos a necessária serenidade
de espírito e caminharás tranqüilo pelo curso da vida”

Peixes

sábado, 12 de janeiro de 2019

República de estudantes por David Gonçalves

– Tem um homem no portão. Quer falar com você.
Fechei o livro. Diz que não estou. Estou lendo. Preparo as provas finais. Já disse que você está. Santa paciência, mulher, vá lá e diz que se enganou. Vou nada, ela diz, irritada. De má vontade, vou atender.
– O que é?
O moço, magro e alto, intimidado:
– Sr. David, o escritor?
Não gosto que venham ao portão. Sou retraído e casmurro. Essa gente confunde o autor com as personagens.
– Sou filho da Marinalva...
Marinalva? Busquei-a na memória. Fiquei olhando o rapaz. Não me parecia estranho. Aquele olhar tímido, mas vivo. Parecia sonhar com campos orvalhados. O jeito de mover os braços, esfregar as mãos. a cor de sela usada.
– Ela trabalhou, há anos, na república de estudantes.
Ah, Deus, balbuciei um gemido de espanto. Quase vinte anos. Tempos difíceis.
– A Marimbondo! Ela está bem? Por onde ela anda?
Me entregou um bilhete amassado e amarelado. “Procure por David, o escritor. Ele mora em Quadrínculo. Diz que eu trabalhei na república de estudantes.”
Olhava o moço estranho com receio. Os fatos se sucediam na memória, como se a tampa do túnel do tempo tivesse sido estourada.
Éramos em cinco estudantes esfomeados. Pé de cana, o mais velho, estudava Direito. Josias, o Grão de bico, Engenharia. Terêncio, o Bafo de bode, Sociologia. Nicolau, Touro brabo, Medicina. Eu, David, Literatura. A casa, alugada por preço baixo, estava aos pedaços. A gente bebia mais do que comia. Móveis em cacarecos e muita sujeira. Ratos passeavam pelos cantos até durante o dia. Pouco dinheiro e muitas bebedeiras, e prosas, e sonhos, e comícios contra a sociedade.
Então, certo dia, bateu à porta aquela mulher, ainda jovem, pedindo emprego. Bem, eu disse, onde comem cinco, bebem seis, e a recolhemos. Estava suja, judiada, magra, olhos cansados. Aqui tem que trabalhar – disseram. Naquela noite, só havia pão com mortadela e o garrafão de cachaça já pelo meio.
Ressacados, no outro dia, vimos, surpresos, uma criaturinha esguia, viva, bonita, cheia de coragem, limpando a casa, dando ordens: se vocês querem uma casa decente, tem que comprar vassouras, rodos, sabão, esponja. De tarde, Bafo de bode apareceu com os produtos exigidos. Assim está bom, disse ela. Vocês vivem de vento? As prateleiras estão vazias. Touro brabo saiu correndo até a mercearia, onde comprou feijão, arroz e carne seca fiado. Em poucos dias, ela colocou a casa em ordem. Não parava quieta. Parecia abelha zunindo. Não, eu disse, marimbondo. Voava daqui, de lá. Ria, cantava, assobiava. De repente, sem a gente perceber, ela tinha dominado a todos. Sem escrúpulos, bebia e participava de nossos porres. A gente estava caidinho por ela. Mas Bafo de bode deu o começo. Sábado e domingo, ele a levava para passear e dormia com ela. A gente fingia que nada sabia. Depois, um por um, fomos acolhidos em sua cama. Ela dividia bem os dias da semana. Bafo de bode confessou que pretendia casar-se com ela. Rimos adoidados. Caia fora, ela é de todo mundo. Ele ficou enraivecido. Ela está grávida, o filho é meu – confessou. Rimos mais ainda. Cara, eu disse, o filho é nosso. Temos que cuidar dele. Cada um fez o que podia para cuidar da gravidez e dos desejos dela. Mas o rebento nasceu morto. Foi uma tristeza só. Daqui pra diante, todo mundo tem que usar preservativos – ordenou Touro brabo. Assim, foi feito e se passaram três anos. Marimbondo já fazia parte de nossas vidas. Mas os estudos estavam no fim. Cada um pegaria o seu rumo. A república ia ser desfeita. Pra onde eu vou? Vocês são minha vida – chorava copiosamente. Há outras casas, Marimbondo. Você vai se dar bem, eu disse. Chorou mais ainda. Na última noite, restavam eu e ela. Bebemos muito e dormimos juntos, como amantes apaixonados, sem preservativo algum. Depois, nunca mais a vi...
Ali estava o filho dela. Me olhava estranhamente. Filho de quem? De Touro brabo, de Bafo de bode, de Grão de bico, de Pé de cana? Seria meu filho?
– Como se chama?
– David – respondeu, timidamente.
Fiquei branco como cera. As pernas tremeram, a voz não saiu, o chão fugiu.

...

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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Musical Bee Gees e Queen da Argentina

Dia 25 de janeiro (sexta) às 20h30 no Teatro Juarez Machado
Ingressos online: www.portalticket.com.br

A banda impressiona o público pela fidelidade no som e na presença de palco. O grupo se destacou e hoje é o maior tributo em toda América Latina. Após sua turnê pelos países latinos, a banda retorna para a turnê brasileira. Prepare-se para uma atmosfera dedicada aos anos 70 e 80! Um espetáculo musical de arrepiar e uma emocionante viagem no tempo, através da obra e da genialidade dos irmãos Gibb e do ícone Freddie Mercury. Um musical simplesmente emocionante! 

Censura livre. Duração 2h - Realização: Produtora Cult.

...

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

domingo, 6 de janeiro de 2019

Pomerode te espera para curtir o verão com sotaque alemão

De 09 a 21 de janeiro, muita música e danças típicas, deliciosa gastronomia, chopes artesanais e atrações culturais exclusivas esperam você na 36ª Festa Pomerana!

Todos os anos, mais de 80 mil visitantes compartilham de toda riqueza da cultura brasileira de origem alemã nesta festa autêntica e familiar, que se faz um verdadeiro tributo aos costumes e tradições trazidos pelos imigrantes pomeranos.

Serão 13 dias de festa e haverá um motivo a mais para se celebrar: nossa querida Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil, irá comemorar 60 anos com uma programação repleta de emoções.

Ingressos: quartas, quintas e domingos - R$ 12,00 / sextas e sábados - R$ 30,00 / segundas, terça e 1ª quarta-feira - grátis * Diariamente, há gratuidade para visitantes de traje típico completo e crianças até 12 anos. Meio ingresso para estudantes, professores, pessoas acima de 60 anos, portadores de deficiência, doadores de sangue registrados e beneficiários do ID Jovem. Mais informações: (47) 3306-6234.

Bom domingo!

sábado, 5 de janeiro de 2019

(continuação) Gregorão e a Chiquita de estimação de David Gonçalves

– Vote, nega véia! Vá procurar outro!
A mulher, já envelhecida pelos rigores do tempo, sorriu e balançou a bunda, erguendo o vestido surrado.
– Não dê bola a essas mulheres. São perigosas – ralhou um taxista, interessado no relato.
– Pois bem – disse Gregorão, arrepiando-se horrorizado, como se tivesse bebido vinagre –, só de me lembrar o que me aconteceu, já trabalhando aqui, nesta rodoviária, neste ponto, sinto o estômago revirar.
– Fale logo, rapaz!
– O caso se deu numa noite assim, morna, calorenta, justamente por essas horas da madrugada. Era eu o último da fila. Chegou o ônibus de São Paulo. Todos os táxis, naquela noite, tiveram serviço. Eu já estava desanimado. Dizia a mim mesmo: essa história de que os últimos serão os primeiros não está bem contada. O último bebe a água suja, não consegue sequer pegar a rapa do tacho. Mais uma noite de prejuízo, perdida. Assim estava eu amaldiçoando a vida, quando uma passageira surgiu, carregando mala pesada e também uma caixa pequena. Mulher muito bonita, de pele morena e olhos verdes.
– Mulher bonita assim a gente nem cobra. Faz a corrida de graça. Mulher feia é castigo.
– Eu vi a sorte mudar. Ajudei a mulher a colocar a mala no bagageiro. Abri a porta. Ela entrou e sentou-se no banco de trás.
Ninguém na rodoviária. Pensei comigo: “Esta corridinha e vou-me embora. Essa noite é bananeira que já deu cacho...” Saí com a passageira, que levava a caixa sobre o colo, como se carregasse algum cristal, tanto era o cuidado. Principiei a conversar...
– Com mulher bonita a gente conversa sem querer. O diabo cutuca a alma e o assunto sai destramelado – comentou um taxista negro, sorrindo, e, quando sorria, mostrava os dentes brancos.
– É o que fiz. Falei sobre o tempo. Há dias não chovia. Calorão que ninguém aguentava. Perguntei se ela conhecia a cidade. Viera algumas vezes. Confessou que achava a nossa cidade muito bonita, o povo bom, gente hospitaleira. Perguntei onde morava. Há dois anos residia fora do país. Acho que nos Estados Unidos. Falou o nome da cidade. Mas não me lembro. Um nome esquisito, coisa de gringo mesmo. Pra essas coisas, não tenho memória. Vivia louca pra voltar ao Brasil. “Esse ar ameno da madrugada, o perfume das flores em cada esquina, a sensação de ouvir a linguagem da infância – ah, tudo isso, me fascina!” – relatou, inchando as narinas. Eu estava entusiasmado. Que morena! Juro que nunca tinha feito corrida com uma mulher tão jovial. Fiquei empolgado. Por Deus! Ao mesmo tempo que dirigia, conversava e prestava atenção naquela voz musical. Os pneus corriam macios, as esquinas não existiam! Eu sonhava!
Tomou fôlego. Estava visivelmente emocionado. Sua respiração era intensa, exalava o cheiro forte do cigarro barato. Todos estavam atentos, não se ouvia nenhum rumor.
– Conversando alegremente, enquanto dirigia, ali perto do batalhão, cismei de olhar pra trás, só pra ver aqueles olhos verdes brilhando no escuro. Eis o que vejo: a cabeça de uma cobra, enorme, me espiando entre os dois bancos! Eu fiquei branco. Puxei o freio de mão, botei o pé no breque. O carro voou em cima da calçada, subindo o meio-fio. Abri a porta num jato. E caí estatelado no meio do asfalto. 
A moça dizia: “É a Chiquita! Ela não faz mal pra ninguém! Não se preocupe, veja!” Passava as mãos sobre a cabeça da cobra. Quando ela fazia isto, mais me assustava. “Ela é boa menina, veja!, não morde ninguém, vive dentro de casa. A Chiquita queria ver aonde estávamos. Ela gosta de espiar, é muito curiosa...” 
Me levantei. Comecei a gritar como louco, até os milicos do batalhão me escutaram: “Fora do meu carro! Fora! Não quero cobra alguma dentro do carro! Fora!” Ela continuava suplicando: “Mas ela não faz nada, é de estimação. Eu trouxe essa jiboia quando era filhote. Aonde eu vou, levo junto. A Chiquita é finíssima!” Eu berrava: “Não quero saber! No meu carro, não! Fora!” 
A mulher, então, vendo o meu estado, saiu do carro, sempre com a caixa na mão, como se carregasse um cristal. Eu descarreguei a bagagem do porta-malas. Entrei no carro, dei partida e sumi, sem olhar se as ruas eram contramão ou não. Lá ficou a mulher com a cobra de estimação, gritando: “Seu filho de uma puta! Deixar uma mulher no meio da noite!” Tapei os ouvidos pra não ouvir. Cheguei em casa branco. A mulher se assustou. Contei o acontecido. Ela me fez uma chá de erva cidreira. Mas não tinha jeito. Por onde olhava, via a cobra.
Gregorão estava perturbado, olhos assustados, nervoso.
– O que vocês fariam?
Os taxistas estavam quietos.
– A mulher carregava a caixa, toda furadinha, como se fosse cristal. Essa Chiquita de estimação! Fiquei perturbado. Um cachorro, um gato, um porquinho, vá lá! Mas uma jiboia! É demais. Logo comigo, que já fui mordido por cascavel... Cada passageiro, até hoje, que tiver uma caixinha nas mãos, eu faço abrir antes. Ah, se faço! Comigo, agora, é diferente. Se não quiser abrir, não faço a corrida. Chiquita de estimação!
Neste momento, chegara o ônibus de São Paulo. Gregorão nem quis ficar. Ligou o carro e foi embora. Perdera a graça. Via cobra por todo lado.

Lembre-se...

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Gregorão e a Chiquita de estimação de David Gonçalves

Cachorro mordido de cobra vê fantasma em qualquer linguiça. Você ri bestamente. Mas o assunto é sério. O riso é uma das formas do medo. Pois não é, então? Acontece cada coisa na vida da gente...

Gregorão puxou de um cigarro barato e acendeu, baforando longamente. Os taxistas esperavam. Pelo jeito, lá vinha história. Rodoviária deserta, só gatos pingados, gentinha pobre que se aboletava, dormindo, sobre os bancos de madeira. Os taxistas, sonolentos e cansados, aguardavam pacientemente o próximo ônibus. Se tivessem sorte, alguns passageiros, os que tinham mais dinheiro, pegariam os táxis. Mas se os passageiros fossem pobres, desses ônibus que vêm do interior, o melhor era voltar para casa e tentar dormir. Pobre só anda de táxi em dia de pagamento ou quando a mulher está para ganhar bebê.
– Desse mato não sai coelho! Esse cara só tem tamanho... Esse cigarro é porcaria: a fumaça fede.
Gregorão era um baita homem. Quase dois metros e dez. Corpulento, braçudo, desses italianos tratados a polenta suculenta. O danado era bom de briga. Dois assaltantes quiseram levar a grana e o carro de Gregorão numa corrida, no Vila Nova, bairro deserto, e se deram mal. Gregorão, mesmo com o revólver na nuca, acabou com a fama dos safados. Cada munhecaço era um tombo.
– Comigo é assim: escreveu, não leu, o pau comeu! – dizia, em voz alta. – Eu não levo desaforos pra casa.
Mas o pessoal, naquela madrugada, estava sedento de conversa. Qualquer historiazinha. Só para matar o tempo. Vida de taxista, quando faz ponto à noite, se assemelha com velório. A madrugada se espicha, se arrasta, as horas desandam. Até o defunto se incomoda.
Gregorão sentiu que todos aguardavam sua fala. Mirou a rodoviária vazia, a névoa refletindo nas lâmpadas, e pensou: “Hoje vai ser dia quente pra burro. Essa névoa não me engana”. Em seguida, principiou o relato, um pouco assustado:
– Eu já fui mordido de cobra. Vocês estavam falando das cobras de Mato Grosso... Eu já estive à beira da morte. Cascavel, um guizo de quinze anos. A gente descobre a idade da bruta pelo guizo, assim, como se diz, pelos anéis da ponta do rabo. Quanto mais anéis, mais velha é. Quando a bicha fica brava, faz barulhão no guizo. Quase morri. Vivia, então, em Quadrínculo, no interior. Num dia de chuva, roçando o pastinho dos fundos do sítio, zás!, a bitela me pegou. Um bote perfeito! Não fosse um compadre, que tinha um jipinho velho, não estava aqui hoje. Cascavel é o diabo!
Baforou longamente o cigarro barato. O cheiro estonteante empestou o ar morno da madrugada. Uma prostituta passou pelos taxistas. (continua amanhã...)

Desejo

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

terça-feira, 1 de janeiro de 2019