terça-feira, 9 de junho de 2020

Por Rosana Souza...

Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembra e vê que o caminho é um só. 
Por que esperar, se podemos começar tudo de novo?... Agora mesmo!
(Legião Urbana)

Como é que inicias teu dia?
Quais são os teus pensamentos e sentimentos quando despertas para um novo dia?

A maneira como começamos o dia pode determinar como será a continuação dele.
Não saia da cama atropelando a vida. 
Reserva alguns minutos para agradecer por mais um dia. 
Ainda que tenhas desafios a enfrentar, sinta alegria por poder
ter a oportunidade de despertar para mais um dia.

Uma postura alegre e otimista eleva a vibração e atrai boas energias; 
abrindo caminho para muitas possibilidades.
Caso ainda não tenhas este hábito, podes fazer uma experiência 
para sentir a diferença que isto pode fazer na tua vida.

É preciso experienciar, mudar velhos padrões, sair da mente egoica, 
das reclamações, do negativismo. 
É importante adotar novas e saudáveis posturas perante a vida, 
para viver com mais leveza.

Concentra toda tua energia e tua atenção no dia de hoje. 
No teu momento presente. Isso é tudo de mais importante que tens a fazer.
Faça tudo da melhor forma possível, na atenção plena.

Mikao Usui, criador do método de Cura Reiki, nos deixou 5 valiosos princípios. 
Através da prática diária, eles podem atuar como uma ponte, 
nos conduzindo para a elevação de nossa consciência.

Os cinco princípios são:
Só por hoje, não me irrito.
Só por hoje, não me preocupo.
Só por hoje, sou grato.
Só por hoje, trabalho com afinco.
Só por hoje, sou amável e gentil com todos os seres.

Não é preciso que sejas um reikiano para praticar estes princípios.
“Só por hoje”, é uma orientação para se estar no aqui e no agora, no momento presente. 
Quando estás no teu coração, podes estar num estado de consciência e atenção plena, 
podendo sentir o fluxo da energia universal que te possibilita uma maior clareza
 e compreensão de ti mesmo, do outro e da vida como um Todo.

“Só por hoje”, inspira a gratidão pelo teu existir. 
Traz para a tua alma a essência da vida em toda sua plenitude.
“Quando tiras tempo para apreciar o vento, uma flor, 
a tua própria obra, estás a cumprir “só por hoje”.
Desta forma, podes olhar para ti mesmo, descobrir tuas capacidades e
 potencialidades, e perceber que és capaz de cocriar 
tua própria realidade ajudando outras pessoas a fazerem o mesmo.
Só por hoje: Tira o peso do ontem, a ansiedade do amanhã e seja feliz agora!
All Love!

Buddha

Reflexão

Beba água onde o cavalo bebe. 
O cavalo nunca vai beber água turva.
Coloque sua cama onde o gato dorme confortavelmente.
Coma frutas onde o verme para.
Escolha cogumelos com moscas.
Plante uma árvore onde tem uma toupeira oca.
Construa uma casa onde é encontrada uma cobra.
Cave um poço onde os pássaros estão sentados no calor.
Vá dormir e levante com as galinhas, 
você terá uma perspectiva de ouro
durante o dia.
Se você comer mais verde,
terá pernas fortes e um coração de leão duradouro.
Se você costuma olhar para o céu,
seus pensamentos serão claros e leves.
Prefira o silêncio à palavra: 
O silêncio cairá em sua alma,
e sua mente ficará relaxada e calma!

Aprendi contigo a desarmar as armadilhas do caminho

Retire-se

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Do livro Mania de Explicação, de Adriana Falcão

Uma curandeira de Rose Kareemi Ponce

"Uma curandeira precisa saber caminhar descalça, dançar batendo os pés no chão, levantar poeira e se perfumar de terra. Uma curandeira precisa saber mergulhar na chuva, tomar banho de rio e se purificar nas águas do mar. Uma curandeira precisa ouvir o vento, sentir no cheiro da brisa que passa, quem vem e quem está a partir.

Uma curandeira sabe o tempo das coisas, de nascer e morrer, de chegada e partida. Ela adoece, porque sabe dos ciclos da vida e que nesse ciclo, inclui-se a morte. Uma curandeira canta suas dores, trança suas tristezas, banha em ervas a inveja e o mal olhado. Ilumina o rezo na vela acesa no altar. Sopra as bênçãos ao vento pois ele sabe onde tem de levar...

Uma curandeira ouve a mãe terra nas solas dos pés e “pressente”: a chuva, a visita, o perigo. Uma curandeira sabe-se protegida, caminha acompanhada e conversa com seus protetores sem duvidar do que “ouve”. Uma curandeira tem fogo aceso: chá e café pras visitas. Ouvidos atentos, pois nas palavras não ditas, se esconde a semente do mal.

Uma curandeira observa a tudo em silêncio, aquieta a voz e cala as palavras, para não se meter a mão em cumbuca apertada, feito macaco curioso. Uma curandeira bate as folhas: para deixar no chão o que é do chão. E sopra a fumaça do tabaco, pra levar pro ar o que é do ar.

Uma curandeira usa flores como medicina, nas águas que esparge nos corpos sutis. Uma curandeira tem olhar tranquilo, pois não briga mais com o inevitável. Entrega, confia, aceita e agradece. Tudo faz parte do aprendizado. Uma curandeira conhece as fases e as usa em benefício de seu crescimento.

Uma curandeira cria sua própria caminhada. Uma curandeira sabe que os degraus da estrada a leva pro alto, então simplesmente segue, sem reclamar da subida. Uma curandeira carrega seus filhos junto ao peito, pois sabe que a cria precisa se manter aquecido e protegido, como estava em seu ventre.

Uma curandeira tem mãos suaves, com elas acaricia e abençoa. Uma curandeira tem abraço de sol, seu coração ilumina outros corações, mas, uma curandeira é justa e muitas vezes usa palavras mais duras. Para trazer a realidade aos que andam perdidos e buscam seu auxílio. 

Uma curandeira, ainda que solitária, sabe-se parte de uma teia, e zela com amor os pontos que tece. Uma curandeira não prende, liberta. Ensina a voar, para que outras curandeiras possam despertar!"

Lembre-se da borboleta...

                             

Resiliência

domingo, 7 de junho de 2020

...

                                                                             "Não é que eu faça questão de ser feliz, 
eu só queria que parassem de morrer 
de fome a um palmo do meu nariz"

Bom dia!

Os quatro elementos

- Seja Terra, disse o Mestre:
A Terra recebe os dejetos de homens e animais, 
e não é perturbada por isto; 
muito pelo contrário, 
transforma as impurezas em adubo, 
e fertiliza o campo.

- Seja Água, disse o Mestre:
A Água limpa a si mesma, 
e limpa tudo aquilo que toca. 
Seja Água em torrente.

- Seja Fogo, disse o Mestre:
O Fogo faz a madeira podre
transformar-se em luz e calor. 
Seja o Fogo que queima e purifica.

- Seja Vento, disse o Mestre:
O Vento espalha as sementes sobre a terra,
faz o fogo arder com mais brilho,
empurra as nuvens - 
para que a água caia sobre todos os homens.

Se você tiver a Paciência da Terra, 
a Pureza da Água, a Força do Fogo, 
e a Justiça do Vento, você está livre.

William James

Re Re Re

sábado, 6 de junho de 2020

Sobre os problemas...

Paz espiritual

“Conta a lenda que um velho Monge e Mestre em artes marciais 
era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um homem conhecido por sua total 
falta de escrúpulos apareceu com a intenção de desafiá-lo.
O velho aceitou o desafio e o homem começou a insultá-lo. 
Chegou a jogar algumas pedras em sua direção, 
cuspiu em sua direção e gritou 
todos os tipos de insultos.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, 
mas o velho permaneceu impassível.

No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, 
o homem se deu por vencido e retirou-se.
Desapontados com a falta de reação do Mestre, os alunos
perguntaram como ele pudera suportar tanta humilhação. 
O Mestre então perguntou:

- Se alguém chega até você com um presente, 
e você não o aceita, 
a quem pertence o presente?

- A quem tentou entregá-lo. 
Respondeu um dos discípulos.

- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. 
Quando não aceitos, continuam pertencendo 
a quem os carregava consigo.

A sua paz interior depende exclusivamente de você. 
As pessoas não podem lhe tirar a calma 
a não ser que você permita.”

Sucesso

Quero ser feliz

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Eu sei...

Rose Kareemi Ponce em...

Manter a serenidade em tempos de trevas, 
é erguer seu templo interno diariamente.
Somente assim a paz reina dentro, na alma.
Manter a calma nas decisões, ainda que difíceis, 
torna nosso templo firme.
Ser seu próprio templo em tempos de trevas, 
é ser terra firme, em meio ao lamaçal.
Caminhar firme, segurar nas mãos da Mãe, 
seguir em frente, rezar, caminhar com as palavras, 
ser o que se espera dos outros.
Assim, a viagem nesse tempo/espaço, 
seguirá mais tranquila.
Ser a mansidão.
Ser templo.
Aprendendo todos os dias a construir e desconstruir, 
tijolo por tijolo, ego por ego. Sem apegos. 
Isso nos faz grandes, dentro de nós mesmos.

Comportamento da criança

José Mauro de Vasconcelos

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Recadinho

Eu gosto...

A lição do café

Uma filha se queixou a seu pai sobre sua vida e de como as coisas estavam tão difíceis para ela. Ela já não sabia mais o que fazer diante de tantas adversidades e queria desistir. Estava cansada de lutar e combater.

Seu pai, um chef, levou-a até a cozinha dele. Encheu três panelas com água e colocou cada uma delas em fogo alto. Em uma ele colocou cenouras, em outra colocou ovos e, na última, pó de café. Deixou que tudo fervesse, sem dizer uma palavra.

A filha deu um suspiro e esperou impacientemente, imaginando o que ele estaria fazendo.

Cerca de vinte minutos depois, ele apagou as bocas de gás. Pescou as cenouras e as colocou em uma tigela. Retirou os ovos e os colocou em uma tigela. Então pegou o café com uma concha e o colocou em uma tigela. Virando-se para ela, perguntou: "Querida, o que você está vendo?"
"Cenouras, ovos e café," ela respondeu. Ele a trouxe para mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela obedeceu e notou que as cenouras estavam macias. Ele, então, pediu-lhe que pegasse um ovo e o quebrasse. Ela obedeceu e depois de retirar a casca verificou que o ovo endurecera com a fervura.
Finalmente, ele lhe pediu que tomasse um gole do café. Ela sorriu ao provar seu aroma delicioso. "O que isto significa, pai?", disse ela.

Ele explicou que cada um deles havia enfrentado a mesma adversidade, a água fervendo, mas que cada um reagira de maneira diferente. A cenoura entrara forte, firme e inflexível, mas depois de ter sido submetida à água fervendo, ela amolecera e se tornara frágil. Os ovos eram frágeis - sua casca fina havia protegido o líquido interior, mas depois de terem sido fervidos na água, seu interior se tornara mais rijo.
O pó de café, contudo, era incomparável; depois que fora colocado na água fervente, ele havia mudado a água.

Ele perguntou à filha: "Qual deles é você, minha querida? Quando a adversidade bate à sua porta, como você responde? Você é como a cenoura que parece forte, mas com a dor e a adversidade você murcha, torna-se frágil e perde sua força? Ou será que você é como o ovo, que começa com um coração maleável, mas que depois de alguma perda ou decepção se torna mais duro, apesar da casca parecer a mesma? Ou será que você é como o pó de café, capaz de transformar a adversidade em algo melhor ainda do que ele próprio?

A importância da vírgula

Crescimento

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Benefícios do Melado

* O melado é rico em ferro, ideal para mulheres grávidas, anêmicas e às que perdem muito sangue na menstruação. 
* O melado é excelente para prevenção de problemas relacionados com a deficiência de ferro, tem a capacidade de aumentar a ferritina.
* Possui também cobre, que ajuda na utilização adequada de ferro no corpo. Junto com a absorção de ferro, o cobre também é útil para a saúde geral da sua pele e cabelo.
* É rico em cálcio e magnésio, ambos minerais juntos auxiliam o crescimento e o desenvolvimento dos ossos. Assim, o melado é uma boa proteção contra a osteoporose e outras doenças ósseas. Esses minerais ajudam também na prevenção de crises de enxaqueca.
* Benéfico para o sistema nervoso. O melado contém um nutriente importante: o potássio. Ele contribui para o funcionamento adequado sobre o sistema neurológico. Além disso, o potássio também ajuda a manter o sistema cardiovascular saudável e em forma.
* O melado também ajudar a manter seu sistema digestivo saudável, naturalmente prevenir e tratar problemas como acidez e constipação.
* Possui manganês que ajuda a manter o sistema nervoso saudável e equilibrado nível de colesterol no corpo.
* Possui selênio que é um antioxidante maravilhoso que ajuda na prevenção de doenças cancerosas.

Perseverança

O menino que não tinha umbigo (final) de David Gonçalves

Seis meses depois, nada importava a Joel. Estava um perfeito idiota, como se alguém tivesse amassado seu cérebro.
Mas a escola estava contente: tudo voltara à normalidade. Tudo seguia o seu curso. A vida, como se diz, segue adiante.
Joel, entretanto, seguia à marcha-ré.
Desleixara-se. Sujo, cabelos desgrenhados, olhos sem brilho e cansados. Emagrecia. Parecia que algo sugava-lhe a seiva.
– O que há com você? – indagavam. – Parece mendigo.
– Não há nada.
– O que era... O que é.
– Sou o que sou.
– Um idiota? Pelo menos, tome banho. Você fede.
– Vire o nariz pra outro lado.
Tornara-se rude, grosseiro.
Quase não falava. Sentia mágoa. Enfrentava os olhares de cabeça baixa. Frangia as sobrancelhas, um pouco arqueadas, e conservando os lábios espremidos, como para assobiar, espiava de soslaio o infinito.
Rodrigo o interpelava:
– Foi só uma brincadeira. Você está fazendo disso uma tempestade. Está bem, fui culpado, nossos pais já se entenderam, eu não queria magoá-lo. Já pedi desculpas. Você está bancando o durão...
O sol da primavera castigava. No meio-dia, as ruas exalavam piche derretido.
No fundo, Rodrigo encenava. Não acreditava muito no que dizia. Joel sabia disso. Apertava os passos, deixando-o para trás.
– Você está procurando pelo em ovo. Foi uma brincadeira. 
Joel parou e olhou-o duramente. Era um olhar indiferente, irônico, sem alma, como se olhasse para objeto.
– Cale-se – disse, repentino. – Agora sou igual a todo mundo. Pertenço aos alunos de sólida mediocridade. Penso o que todos pensam. Acho os professores engraçados, descubro defeitos nos amigos, não me incomodo com notas ruins. Está satisfeito? 
Apressou os passos, distanciando-se.
. . . 
Foi um dia primaveril muito estranho. O sol era apenas um pobre brilho leitoso e débil atrás de espessas nuvens sobre a cidade. Ruas e jardins secos chamavam a chuva logo de manhã.
Tudo parecia correr como sempre no colégio. Havia, entretanto, uma ansiedade angustiante pairando. No meio da aula de história, Joel se levantou e, inesperadamente, evadiu-se da sala, deixando os alunos assustados.
– Onde vai, Joel? – a professora interpelou. 
Não houve resposta. Seus lábios tremeram, os olhos se turvaram. Mas seguiu pelo corredor e, diante do portão de ferro fechado a cadeado, ele contornou o colégio e saltou o muro. Segurava a pasta debaixo do braço. De vez em quando, olhava para trás, receoso, e seguia adiante, como se obedecesse a um chamado. Suas mãos, que apertavam a pasta, estavam molhadas e sujas com a ferrugem e o limo do muro que pulara. Transfigurado, os cabelos revoltos, o vento morno o empurrava pelas costas e seu corpo magro se movia mais rápido. O vento, cada vez mais forte, acelerava seus passos incertos. As nuvens baixavam pesadamente a ponto de tocar as árvores e as pessoas procuravam refugiar-se em suas casas e armazéns. A poeira levantada cheirava a doce de goiaba fervendo no tacho. De repente, formou-se um insólito redemoinho, a folharada poeirenta rodopiando, que se erguia num grande cone aberto ao tocar as pesadas nuvens, e envolveu Joel como se envolve um bebê numa manta, e o ergueu feito palha, e o cobriu com partículas de terra. Como veio, o redemoinho se foi, e tudo voltou ao que era, quando os primeiros pingos d’água, grossos e pesados, cobriram o asfalto, casas e jardins.
Choveu dois dias sem parar. Houve raios, alagamentos, deslizamentos de morros e soterramento de casas.
A notícia explodiu como granada na cidade: o filho da padeira havia sumido. O fotógrafo Kenzaburo, o Japa, passou a mostrar uma fotografia que tirara do insólito redemoinho e, nela, parece uma figura estranha sendo tragada. Uns dizem que é um cão, outros que é um menino. Outros nada veem.

"A cabeça diz que é besteira, mas o coração não esquece"

Sem medo

terça-feira, 2 de junho de 2020

O agora é o único tempo que existe, e cada instante é para nos doarmos!

A vida nos demonstra que temos muito a aprender com as crianças. Elas ainda não se adaptaram ao conceito de tempo linear, com um passado, um presente e um futuro. Elas se relacionam apenas com o presente imediato, com o agora. Parece que elas não vêem o mundo fragmentado. Sentem que estão ligadas a tudo o que existe no mundo, como parte de um todo. Elas parecem representar a verdadeira sabedoria e o verdadeiro perdão.

À medida que envelhecemos, tendemos a aceitar os valores adultos que enfatizam a projeção do aprendizado passado, no presente e no futuro. A maioria de nós não tem qualquer dúvida sobre a validade dos conceitos de passado-presente-futuro. Acreditamos que o passado vai continuar se repetindo no presente e no futuro, sem possibilidade de mudança. Por causa disso, vemo-nos vivendo em um mundo cheio de medo onde, mais cedo ou mais tarde, haverá sofrimento, frustração, conflito, depressão e doença.

Quando mantemos vivas as nossas experiências de culpa e ressentimento trazidas do passado, a elas nos apegando e nelas investindo, somos tentados a prever um futuro semelhante. Então, o futuro e o passado tornam-se um só. Sentimo-nos vulneráveis quando acreditamos que o passado cheio de medo é real e esquecemos que a nossa única realidade é o amor, e que o amor existe neste instante. Sentindo-nos vulneráveis, esperamos que o passado venha a se repetir. Assim, vemos o que esperamos ver, e o que esperamos ver, nós atraímos e procuramos. Desse modo, culpas e medos do passado se reciclam continuamente.

Uma forma de nos livrarmos desse nosso “lixo arqueológico” consiste em reconhecermos que o apego a ele não nos dá o que queremos. Quando percebemos que não vale a pena reciclá-lo e o abandonamos, eliminamos os bloqueios que nos impedem de ser livres para perdoar e amar plenamente, agora. Somente ao assumir essa postura podemos ser verdadeiramente felizes. 

A percepção de que o agora é o único tempo que existe tem o condão de transformá-lo na eternidade. O futuro torna-se mera extensão de um presente cheio de paz que nunca termina. Minha preocupação com o passado e sua projeção no futuro frustra meu objetivo de paz no presente. O passado acabou e o futuro ainda está por vir. Não é possível encontrar a paz no passado, nem no futuro. Somente neste instante. Estou determinado a viver hoje sem fantasias, tanto sobre o passado, quanto sobre o futuro. Vou me lembrar de que este instante é o único tempo que existe.

Cura das Atitudes - Princípio 5 - Gerald Jampolsky - Inspirado em Um Curso em Milagres

Martin Luther King

Conto 4: O menino que não tinha umbigo - David Gonçalves

Dizia enfaticamente a professora:
Meninos, o maior respeito que alguém pode obter é pelo seu nome e seu corpo. O nome é sagrado. Ninguém pode ficar nomeando as pessoas por nomes chulos. Quando se nasce, o primeiro presente é o nome e, ao ser nomeado, recebe o cálice sagrado.
A princípio, os alunos prestaram atenção. Aos poucos, entediaram-se, e as palavras da professora soavam distantes.
Leva-se uma vida toda para fazer um bom nome. Toda uma existência. Para arranhá-lo, destruí-lo, basta apenas um segundo.
Os alunos, de olhos baixos e enviesados, miravam o Tampinha, o Perneta, o Gambá, o Cisquinho, o Garnizé, o Pateta, o Pelé... Tinham vontade de rir, mas não ousavam. O discurso da professora os solava como relho.
Muito menos – continuava a professora, um tanto zangada – zombar do corpo em que habitamos, pois ele é nossa morada. Devemos ter respeito à casa que o Senhor nos deu, seja ela de um jeito ou doutro.
Os alunos miravam o Perneta, a Manquinha e, por final, o Joel, o menino que não tinha umbigo. Joel estava de cabeça baixa, como se recebesse saraivadas de espinhos. Sabia que o miravam e tinham vontade de jogá-lo na lama.
Já dizia o filósofo Benjamin Disraeli: “O maior bem que podemos fazer a uma pessoa não é apenas partilhar nossa riqueza com ela, mas levá-la a descobrir a própria riqueza.” Pois bem, nesta sala, de hoje e para sempre, o respeito ao nome e ao corpo, será nosso mantra. Quem não respeitar, não fará parte deste colégio. 
Os alunos entreolhavam-se com olhares baixos e penetrantes, Joel sentia-os como agulhadas nos nervos. Poderiam não dizer que ele não tinha umbigo, mas os olhares diziam por si. Odeio essa gente – gemia, cerrando os dentes. Ah, Deus, me tire daqui. Para se livrar disso, viajava a Marte e, novamente, a menina peluda, que também não tinha umbigo, o conduzia por montanhas e crateras áridas. Então, não ouvia o que a professora dizia.
Nada de tratamento e conversa perversa. Respeito ao nome, respeito ao corpo. Já dizia Goethe: “Trate um ser humano tal como ele é, e ele continuará como é. Trate-o como ele pode ser e deve ser, e ele se tornará como pode e deve ser.” Porque, caros alunos, o que conta é a beleza interior. Nenhum de nós será avaliado por nossa aparência e pelo pote de ouro. Cada qual tem uma estrela que brilha e influencia significativamente a presença física e dá nova luz aos olhos.
Os alunos saíram no corredor e o alarido explodiu. Joel permaneceu sentado, alheio, como se vivesse noutro planeta.
. . .
Acorda, Joel! O que você fez?
Nada.
Amasso pão como escrava. Olhe minhas mãos. Minhas munhecas! Estão inchadas. Estão duras. Doem pra valer. E você parece uma lesma. Vi luz acesa no seu quarto durante a noite inteira. O que anda aprontando? Deve ser o maldito telescópio. Ai, minha Virgem, por que te dei o telescópio?
Foi o melhor presente, mãe. Deixa eu me divertir, espiando estrelas. Foi pra isso que me deu, não foi?
Mas não foi pra você ficar igual zumbi durante o dia. Estou precisando de ajuda na padaria. Bem que você poderia, depois das aulas, ficar no caixa ou arrumando as prateleiras, repondo, conferindo.
Se quer assim, eu vou.
A gente não vive de vento e muito menos de espiar estrelas. Entre o pão e o sonho, fique com o pão.
A mãe tinha razão. Precisava ajudá-la. As munhecas dela estavam inchadas. 
Ah, mas como deixar as estrelas? Brilhavam intensas e diziam coisas para ele, sussurrando, instigando. O ser humano comum sequer olhava-as. Vivia enfiado em seu mundinho, rastejando. Só de pensar que elas eram cem vezes maiores do que a Terra... O homem, da imensidão do Universo, o que era? Verme miserável e nada mais. Sim, um verme. Tantas coisas haviam sido descobertas: o telégrafo, o motor a vapor, a televisão, a internet... Sim, tantas coisas, e mais descobertas surgiriam. Mas, quando se olha o Universo, é preciso reconhecer que nada somos.
Sim, mãe, depois das aulas eu irei trabalhar.
Mas não deixaria de olhar a noite agitada, luminosa, debruçado sobre o telescópio. Percebia a grandeza da criação e a pequenez do homem.

Crime ambiental

Voe...

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Conto 3: O menino que não tinha umbigo - David Gonçalves

O diretor se mostrou espantado. Doralice, mãe de Joel, ainda tinha massa de pão e de pizza nas unhas das mãos e, nervosa, cobrava explicações do diretor. Provas? Sim, havia prova contundente. Mostrou o celular do filho. 
– Veja, isto está acontecendo debaixo de sua barba. Não é invenção. O que me diz?
– Isto é grave, muito grave! – soletrou o diretor, levantando-se da escrivaninha, empaledecido.
– O menino não quer vir mais à escola. É preciso providências urgentes. Nada de passar as mãos nas cabeças dos riquinhos e achar que tudo está encerrado. Espero que seja duro, pois não deixarei o caso acabar no ar. Do contrário...
– Vou acabar com essa farra hoje ainda. Volte pra casa e convença o seu filho a frequentar as aulas.
– É o que farei. Mas não me obrigue a ir até a polícia e registrar a queixa. A coisa pode ficar braba.
Ambos se confrontaram, como se medissem forças. 
– Pra que serve um umbigo, afinal? Só um sinal de nascença, uma cicatriz de nascença – disse com certa calma Doralice, mas os joelhos dela tremiam de raiva, medo e sensação de impotência.
O diretor tentava colocar panos quentes. Mostrava-se chocado, mas ao mesmo tempo o fato o fascinava.
– Afinal, isso não passa de lorota, não é?
– Não é lorota. Quero que haja punição.
– Bem, o que posso fazer? Passar um sabão nestes pirralhos – voltou a sentar-se pesadamente na poltrona. – Enfim, Joel tem umbigo ou não tem? Não existe ninguém sem umbigo.
– Não tem umbigo. 
– Como assim?
– Fiz inseminação artificial. Nasceu sem umbigo. Pra que serve um umbigo, me diga. Nem por isso deve ser motivo de brincadeiras. O rapaz não quer vir mais à escola, nem sovando.
– Muito estranho. Ainda não tinha ouvido algo semelhante.
– O que vai fazer?
– Volte ao trabalho. Cuidarei disso imediatamente. 
– Espero que sim.
Depois que ela saiu, o diretor se jogou na poltrona, exausto. Tinha visto aborrecimentos de toda espécie, brigas, ofensas, alcunhas, gordinhos, tição de fogo, pau de virar tripas, cara de sapo... Mas igual a esta ainda não. Não tinha umbigo. E daí? Servia pra alguma coisa? Só Adão não tinha umbigo, pois não nascera de uma mulher, mas de criação divina. 
Fez uma reunião abrupta com os supervisores e, no final da tarde, tinha desmantelado a rede social, e o jovem autor da brincadeira inusitável estava plantado a sua frente no gabinete.
– Então, seu Rodrigo, que brincadeira é esta? 
Mostrou as mensagens do WhatsApp. Rodrigo estava rubro, como se a pele pegasse fogo.
– Já pensou no tamanho desta maldade? Isto é caso de polícia. Já comuniquei os seus pais.
Rodrigo suava e gaguejava.
– Foiiii... umaaa... brincadeira... Acheeeiii que...
Os pais de Rodrigo entraram no gabinete. Estavam perplexos. 
– O que este pirralho aprontou desta vez?
O diretor se fez de autoridade máxima.
– Pra mim, é caso de polícia. Ouçam e avaliem por si mesmos. A mãe deste menino quer ir adiante com o caso. E agora?
Os pais estavam mudos, não sabiam o que dizer, esfregavam e circulavam as mãos, confusos.
– Sugiro que conversem com a mãe nesta sala. Coloquem em pratos limpos. Não quero dúvidas. Estão dispostos a conversar com ela?
Estavam. Pedir desculpas e assumir os erros do filho – o que podiam fazer, antes que o caso fosse adiante.
Foi uma reunião tensa. Diz-que-diz. Ameaças. Desculpas. Silêncios. No final, os ânimos estavam refreados.
Doralice voltou a sovar a massa dos pães.
– Tanta confusão por um umbigo – maldisse o diretor, exausto, enquanto espiava pela janela o burburinho dos alunos no pátio.

. . .

Tudo estava em paz, menos para Joel. Passava as noites no telescópio, sondando o Universo. Prometera à mãe que voltaria às aulas, e voltou. Mas não era o mesmo. Antes, inteligente, arguto, agora não passava de uma massa reativa. No meio das aulas planava nas suas viagens espaciais. Estava na carteira como missa de corpo presente. Sentia-se conduzido pela moça de corpo peludo, sem umbigo, pelas encostas de Marte, como se passeasse pelos vales na Terra. Ela o convidava para ficar em Marte, arrastava-o para lugares desconhecidos, cavernas, crateras. De lá, ele divisava a Terra, um minúsculo ponto azul.
– Joel, o que pensa disto?
A professora terminara uma lição sobre os romanos, a grandeza do império, reis e súditos, papas e santos.
Joel apurou a vista e aguçou os ouvidos.
– Eu não sei.
– Como não sabe? Você não quer responder – disse a professora, estupefata – Será que estou falando às paredes?
Joel afastou uma nuvem quase invisível.
– Não sei mesmo – voltou a responder.
– Vamos, mais uma chance: pense bem. Falei do assunto nesta aula. Não precisa usar da memória.
Joel ficou de pé. Disse, com determinação.
– Eu não sei.
– Fique na sala depois da sineta.
O cérebro de Joel parecia avariado, zumbia perdido. Na sala vazia, a professora postou-se a sua frente.
– O que está acontecendo? Você sempre aprendeu as lições com facilidade, como se já soubesse antes. 
– Eu não sei do que está falando, professora. Sempre fui assim. 
– O que está acontecendo com você, afinal? É aquela história estúpida do umbigo, não é? 
Joel não respondeu.
– Você parece mudado. Anda distraído, no mundo da lua, e tão desinteressado. Conte o que está havendo.
– Nada pra contar. Sempre fui assim.
Fechou-se, uma pedra.
Havia mudado. Qualquer um poderia perceber. Tornara-se desleixado, não estudava nem cumpria com as tarefas. Pior ainda: afastara-se dos amigos. Achava-os chatos e maldosos.

Para descontrair...

Leia Mulheres Joinville (a confirmar)

Em junho, dia 27, a leitura se volta novamente à literatura latino americana, com “Distância de Resgate”, da argentina Samanta Schweblin. Schweblin escreveu uma narrativa extraordinária e hipnótica, urgente e duradoura, que consegue nos manter inevitavelmente presos e mergulhados num universo ficcional perturbador. O campo se transformou diante de nossos olhos sem que ninguém percebesse. Talvez não se trate de estiagens ou de herbicidas – e sim do fio vital e afiado que nos prende a nossos filhos, e do veneno que lançamos sobre eles. Nada é clichê quando afinal acontece. “Distância de resgate” acompanha esta fatalidade vertiginosa fazendo sempre as mesmas perguntas: existe por acaso algum apocalipse que não seja pessoal? Qual é o ponto exato em que, sem saber, damos o passo em falso que acaba nos condenando?

Junho de crescimento

domingo, 31 de maio de 2020

Swami Vivekananda

               

Envelheci 10 anos ou mais nesse último mês...

Conto 2: O menino que não tinha umbigo de David Gonçalves

– Mãe, não vou mais na escola. Tenho ódio daquela gente. Prefiro estudar aqui em casa. 
– Ah, não, meu filho, você vai, sim. Não vem com história. Trabalho como escrava na padaria e você fazendo boquinha. 
– Eu não vou, já disse. Estou cansado de gente estúpida. 
– Eu me ralando pra dar estudo pra você e fico ouvindo tanta besteira. Jesus, tenha piedade de mim.
– O que os professores ensinam, eu já sei. Não estou aproveitando nada. Perda de tempo.
– Me diz a verdade: o que aconteceu?
– Você sabe do que se trata.
– De novo, a história do umbigo?
– Sim, eles estão me gozando. Todo mundo quer ver se é verdade ou não. Pareço um bicho estranho. Estão fazendo um concurso pra saber quem não tem umbigo. Está no WhatsApp. 
– Deixa eu ver.
– Aqui está.
– Deus do céu!
– Virei palhaço. Está todo mundo gozando. Pareço saco de pancadas. 
– Que maldade. Essa meninada não tem o que fazer? Parece urubu em cima de carniça.
– Odeio essa gente. Se descubrir quem fez, vou dar uma surra.
– Eu vou falar com o diretor. Isso é bulling. 
– Por mim, pode falar. Eu não voltarei lá. Até as meninas me olham de forma esquisita.
– Vou falar, sim. E você vai voltar às aulas.
Ambos se calaram. Ouvia-se o burburinho que subia da rua. Estavam magoados, impotentes.
– Mãe, por que não tenho umbigo?
– Já te falei mil vezes.
– Me fale de novo.
– Ah, está bem. Só mais esta vez.
Sentaram-se no sofá.
– O teu pai não podia ter filhos. Depois de anos, resolvemos ir no laboratório. Lá, o médico pegou um esperma de outra pessoa e colocou dentro de mim. Assim, você cresceu dentro de minha barriga. Foi assim que você foi concebido. Do contrário, você não seria este menino tão bonito... e eu não teria você.
– Por que o pai não podia ter filhos?
– Era infértil. Alguns homens são improdutivos. Ele não tinha culpa disso. O importante é que ele gostava tanto de você.
– Do que ele morreu, mãe?
– Ah, filho, de câncer. Você tinha dois aninhos. 
– Ele sabia que eu não tinha umbigo?
– Sabia, sim. 
A mãe enxugou as lágrimas.
– Ele gostava de mim?
– Gostava, sim. Segurava você no colo e cantava canções. Enquanto você não dormia, ele não deixava de segurá-lo no colo.
– Mas ele não era meu pai.
– Seu bobo, pai é quem cria.
– Quem é meu pai?
– Isso eu não sei. A gente não pergunta de quem é o esperma. Mas o médico me disse que o doador era um cientista.
– Um, o quê?
– Cientista. Sujeito que vive descobrindo coisas que a gente não vê.
– Quero conhecer este pai estranho. Será que ele também não tinha umbigo? 
– Não pode. Já te disse: pai é quem cria.
Voltaram a ficar calados. Vou deitar, disse ela. Amanhã tenho que surrar a massa até doer os ossos.
– Mãe, posso ter umbigo? Tive vendo: os cirurgiões plásticos. Recriam nariz, boca, bochechas, orelha, dedos, deve haver alguém que cria umbigo. Pelo menos, não seria motivo de chacota.
– Se a gente tivesse dinheiro... Isto custa os olhos da cara.
Cada qual foi para o seu quarto. Mas Joel não dormiu. Ficou pensando... De repente se levantou e foi mirar o telescópio. Abriu a janela e começou a espiar o universo. 
Oh, mundão! O que via era imensurável. Um sistema solar formado pelo Sol, asteroides, satélites, meteoros, cometas e oito planetas, com formas esféricas, sempre em órbitas elípticas. Lá estavam todos eles suspensos vagando. Teria vida extraterrestre? Ah, se tivesse, ele gostaria de mudar-se. Estava cansado da Terra. Pra dizer a verdade, desgostoso. Quem sabe, em Marte, os habitantes eram como ele, sem umbigo.
O Universo sumia no infinito. Quantos planetas teriam outras estrelas? O mundo se estendia. Lembrava-se das palavras do professor de física: “O mundo está sendo criado neste momento. Ele está se expandindo.” Seria verdade? Ou o professor estava mentindo?
Mergulhar no sistema solar era a viagem dos sonhos. Mercúrio, Vênus, Terra, Júpiter, Saturno, Urano, Neturno – uma viagem que Joel fazia todas as noites, como se fugisse. Quantas vezes não desejava ir para Neturno, o mais distante do Sol. Difícil de ver até no telescópio, presente da mãe. Custara uma fortuna. Os olhos da cara, como ela costumava dizer. Neturno, lá estava ele, o gigante gasoso, tal como Júpiter, Saturno e Urano. Como seria aquela atmosfera construída por hidrogênio, hélio e metano? Como poderia chegar até lá? Tão distante: 4,5 bilhões de quilômetros do Sol, 156 anos terrestres para completar uma órbita, rodeado por 14 luas. 
Espiava, embevecido, os planetas. Deus, como tudo era maravilhoso! O homem – tão pequenino, um grãozinho de areia que qualquer vento fustigava. Não era nada diante da vastidão do universo.
Dormiu debruçado à mesa, as mãos sobrelaçando o telescópio, como se abraçasse o mundo. Sonhou. Estava em Marte, o planeta tão parecido com a Terra. Mas estava preso numa gaiola: um grupo de seres peludos, parecidos como gorilas, espiavam-no e riam, apontavam-no com os dedos. Joel estava nu e todos apontavam para sua barriga. Riam de quê? Aqueles seres estranhos também não tinham umbigos. Então, por que apontavam para sua barriga?
– O roto rindo do esfarrapado – disse, enfurecido. – Agora, por favor, me libertem. 
Mas aqueles estranhos não o entendiam. Por isso, ele começou a tremer, a suar, a sentir calafrios.
– Quero um cobertor. Está muito frio. Quantos graus abaixo de zero? Vinte, trinta, 50 graus? Nem na Sibéria é tão frio assim. Parem de rir e me deem um cobertor. Eu imploro.
Estava perdendo os movimentos. Respirava entrecortado, como se alguém pisasse em sua garganta.
Uma jovem graciosa e peluda jogou-lhe uma pele de urso por entre as grades da gaiola. Tinha um sorriso grande. Os pelos cobriam-lhe os seios e os quadris. Mas dava para Joel ver que ela também não tinha umbigo. Depois, ela lhe deu um caneco de uma bebida amarga e quente. Aos poucos, ele sentiu o corpo se aquecer. Agora, o grupo de seres estranhos confabulava num círculo. O que estariam tramando? Aguçava os ouvidos para ouvir, mas a fala era sincopada, murmurante. Estariam tramando a sua morte?
De repente, enquanto aqueles seres estranhos confabulavam, a jovem abriu a porta da gaiola e o puxou como se levasse um socavão inesperado e ambos saíram correndo pelas montanhas rochosas.
Então, Joel acordou.

Cansou? Relaxa...